Psicopsia, um romance de formação coletiva no tempo de uma urgência cirúrgica

Psicopsia é um romance psicológico, moderno e realista.

A história é contada no presente através de fluxo de consciência de vários personagens, mais precisamente oito. O período compreende os dois anos de residência em cirurgia geral de um hospital público de alto movimento no princípio dos anos 90.

Durante os quarenta e três capítulos acompanhamos uma dissecação psicológica dos personagens; seus conflitos internos; seus conceitos e preconceitos. Teremos a visão enviesada pela perspectiva de cada um; a troca de narrador não é denunciada ao leitor, fazendo-o perceber isto pelas mudanças de estilo da escrita, das gírias, da velocidade e forma de pensamento. Seguimos também a necessidade de amadurecimento rápido de toda a turma de residentes perante as vicissitudes que vão-se sobrepondo. No decorrer da história, inúmeras situações são evocadas (flashbacks) fazendo o leitor se tornar íntimo da personalidade de cada personagem.

Aliás, são inúmeros personagens que se cruzam sob a concepção diferente de cada narrador, tornando impossível ao leitor não formar um sentimento de repulsa ou identificação com cada um deles.

A história é pródiga em passagens polêmicas apresentadas de forma crua, sem emissão de juízos, pois são reveladas no presente sem tempo de serem depuradas pelo filtro moderador da consciência. Há assédios moral e sexual, sexismo, homofobia, racismo, tudo exposto sem censura beirando em algumas situações à pornografia comportamental.

Além disso, acompanha toda história o universo da medicina — talvez nunca tratada na literatura de forma tão perigosamente realista e chocante —; há erros médicos, condutas antiéticas, disputas de egos, dependências químicas que levam ao suicídio, violação de cadáveres etc.

O humor bastante presente na narrativa varia desde fino e sutil para abominável, ultrajante e rasteiro. Está às vezes incrustado na maneira de ser de determinado personagem, nas situações insólitas ou nos afiados diálogos.

Psicopsia tem a ambição de não deixar o leitor passivo. Reverberam no romance as influências de Joyce, Guimarães Rosa, Sinclair Lewis e Virginia Woolf.

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