Babbitt, um romance atual

Alguns romances envelhecem e ficam datados, outros parecem refletir uma conjuntura atualíssima. Assim é “Babbitt” de Sinclair Lewis.

Estamos em Zenith, uma cidade fictícia de porte médio, orgulhosa de seus arranha-céus e fábricas. “Uma cidade construída — na aparência — para gigantes”, assim a define Lewis. Note a sutileza do “na aparência”, pois entraremos no cotidiano de um cidadão típico, o personagem principal, George Babbitt.

À medida que seguimos Babbitt no seu negócio imobiliário, em sua casa ou no lazer, temos um perfil da dinâmica política da cidade e muitos pensarão que talvez o romance tenha influenciado sucessos da televisão como os Flintstones ou os Simpsons.

Porém Babbitt tem um sonho recorrente com uma fada que o faz fugir de todos, da família, do trabalho… Algo como o ouro de tolo de Raul Seixas (eu devia estar feliz…). Lewis expõe num estilo claro e conciso uma sociedade de produção e consumo ainda anterior à grande depressão de 1929 retroalimentada por instituições cuja principal função é a autoconservação. Destacam-se os clubes exclusivos onde o ativismo de bons costumes é intensamente patrulhado como, por exemplo, o engajamento e participação no crescente movimento da Liga dos Cidadãos de Bem.

Em determinado momento, em viagem, Babbitt encontra um antigo colega de universidade, Seneca Doane, que tem péssima reputação por envolvimento político com partidos de esquerda. Babbitt mais uma vez vê a fadinha e começa a ter atitudes estranhas ao seu círculo de amigos. Intimamente ele sabe que sua rede social não será passiva à sua guinada de valores.

Babbitt rendeu a Sinclair Lewis a láurea do Nobel de literatura em 1930.  

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